sábado, 11 de agosto de 2012

Execução Sumária

Foi ontem pela manhã. Eram umas quinze, vinte, sei lá. Não mais que isso. Daquelas pretinhas bem pequenininhas que quando lhe picam (ou mordem, vá la), arde, incha logo um calombinho e passa o dia coçando. Eu detesto esse tipo de formiga. Detesto! 

Pois bem, quando eu dou fé, elas tinham entrado no saco de açúcar. Vê se pode, que atrevimento! E já vinha um batalhão atrás, em fila indiana tentando se passar por espiões invisíveis (imagina!) rumo ao saque do meeeu açúcar. Ah, vá trabalhar, minha filha!!! Eu gritei um "ARRÁÁÁÁÁÁÁ!!! Flagrei no ato!" e catei o saco de açúcar (é verdade que eu facilitei: o saco já havia sido aberto e tinha só um quinto de açúcar), coloquei em cima do balcão da pia. Peneirar nem pensar, né? Pequeninas como são, passariam fácil, fácil pelos buracos da peneira. Dei-lhe, então, uns muchicões de um lado e de outro do saco. As endiabradas logo se fingiram todas de mortinhas pra me enganar... né o fute?!! Quando dou fé novamente, lá estão elas se mexendo, emburacando no açúcar pra ficar a salvo dos muchicões. 

Só que eu num sou besta nem nada. Vi que aquilo num resolvera e sentenciei: muito bem, vão TODAS morrer asfixiadas!--me veio logo minha ascendência germânica, com requintes de câmaras de gás. Dobrei e redobrei bem direitinho o restante do saco 
(eu tenho TOC), como se fora um envelope. Peguei fita adesiva e praaaap! selei bem selada a entrada/saída das hediondas e fiquei só olhando pra ver o ar se acabar dentro do saco (é daqueles sacos plásticos meio grossos, sabe? próprios para açúcar). 


Quinze segundos. Trinta e cinco segundos. Um minuto. E as terríveis, já com as idéias no lugar e com ares de "Acabou o terremoto, meninas. À luta!", continuavam a se movimentar destemidamente para todos os lados, escolhendo os melhores grãos. Assim, como que desafiando minha ira, vê só! Pensei: vou guardar esse saco em cima do armário da cozinha e amanhã eu conto o número total de vítimas. 

Nem bem eu havia levantado o saco do lugar, raciocinei: e se o ar pra elas não acabar e elas não morrerem? vão pensar é que estão no céu! vão se reproduzir igual coelhos e amanhã quando eu retornar, vou encontrar é um formigueiro dentro desse saco. Bem pensado!!, pensei.

Matutei, matutei... dei alguns passos em círculo na pequena cozinha da minha casa. Sabe quando brilha aquela luz no seu cérebro? Dizendo que uma ideia brilhante acabou de acontecer? Pois! Então minha ascendência germânica deu lugar à eslava. Olhei bem pro congelador e falei: Para a Sibéria!!


Pronto. Resolvida a questão.

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