terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O sim que já mais não

Não foi meu viés político,
Nem a simplicidade do meu recanto,
Nem mesmo a falta de tempo investido,
Nem ainda os quilômetros que se nos interpuseram,
Ou as arestas não aparadas.
Não, por favor, não foi nada disso.
Não aponte as circunstâncias,
Nem as dores da caminhada,
Não fale da minha inabilidade,
Nem da sua inexperiência.

Chega de deslealdade,
Chega de cara de paisagem,
Chega de pretensas efusividades,
Chega de aparentes amenidades.

Não sei se me cansei,
Nem sei se ainda quero o que sempre desejei,
Não sei se a esperança feneceu,
Não sei tanta coisa!
Mas do pouco que sei,
Uma coisa é certa
Também não ouvirei de você
O pedido de perdão.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Procê ir



Já caminhei tanto nessa vida
vagando por esse mundão de meu Deus.

Caminhei muito
muito mesmo:
quilômetros,
milhas,
distâncias intercontinentais.

Caminhadas malamanhadas,
modornentas e tediosas.
Daí passei a correr.
Ah, eu corri.
No início, devagar, descrençado,
e depois depressa.

Sim, 
e corri de pressa,
corri de dor,
corri de medo,
corri sem saber porquê;
o atleta ofegante
que não enxerga o caminho
que o leva à fita da chegada.

O mundo deu voltas e voltas,
girando sem parar
e, antes de me ver tonto,
no olho desse furação
brequei o comboio da vida
para ter a tranquilidade de decidir
se ir
ou se voltar.

Hoje voo solto, 
no sépia dos teus olhos doces;
hoje vou solto
no abraço apertado
que faz ouvir o teu coração
batendo no compasso do meu
porque se ir
foi a decisão tomada,
então iremos juntos,
de mãos dadas,
rumo às venturas jamais imaginadas
que, pacientes, nos esperam por vir
porvir,
se ir,
Seir.